Havia um tempo em que eu achava que sonhava demais
escapava para um mundo que eu criei
um mundo ao qual me refugiava
quando a realidade do mundo a que todos nós experimentamos
se tornava dura e inóspita.
Andando em meio aos cadáveres que cambaleiam
pelas ruas da vida,
esses cadáveres da rotina
esses cadáveres que vem e vão
que vivem por algum sopro
apenas nos fins de semana e feriados
Ah como queria que a vida soprasse dentro dessas
almas frias..
E eu que deixava a vida escapar por entre os dedos
vivendo um não viver
tranquei meu gênio falante em seu calabouço
decidi agir pra não mais sofrer
E de tanto viver a vida normal
a vida artificial
a vida do José e do Juvenal
Uma vida que não é pra mim
essa minha alma arredia
E deus sabe o tanto que tentei
botá-la no cabresto
mas essa minha alma sonhadora
teima em sonhar
E de tanto teimar
essa força inevitável
essa musa irrecusável
Entendi que sonhar é viver
e de tanto sonhar, sonho mesmo me tornei
será que sou o sonho de alguém
e que isso que chamo de gênio
Esse! esse mesmo que me domina
não é a mente desse sonhador de mim
que sabe mais de mim que eu mesmo
esse que quer soprar a vida dentro de mim
Pois sonhar é viver
não dessa vida que somos empurrados
a enfrentar..
mas de uma vida que devemos crer
uma vida que devemos antes escolher
Meus novos olhos estão abertos agora
e esses olhos jamais poderão ser fechados..
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