quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Alma arredia



Havia um tempo em que eu achava que sonhava demais
escapava para um mundo que eu criei
um mundo ao qual me refugiava
quando a realidade do mundo a que todos nós experimentamos
se tornava dura e inóspita.


Andando em meio aos cadáveres que cambaleiam
pelas ruas da vida,
esses cadáveres da rotina
esses cadáveres que vem e vão
que vivem por algum sopro
apenas nos fins de semana e feriados

Ah como queria que a vida soprasse dentro dessas
almas frias..

E eu que deixava a vida escapar por entre os dedos
vivendo um não viver
tranquei meu gênio falante em seu calabouço
decidi agir pra não mais sofrer

E de tanto viver a vida normal
a vida artificial
a vida do José e do Juvenal

Uma vida que não é pra mim
essa minha alma arredia
E deus sabe o tanto que tentei
botá-la no cabresto
mas essa minha alma sonhadora
teima em sonhar

E de tanto teimar
essa força inevitável
essa musa irrecusável

Entendi que sonhar é viver
e de tanto sonhar, sonho mesmo me tornei

será que sou o sonho de alguém
e que isso que chamo de gênio
Esse! esse mesmo que me domina
não é a mente desse sonhador de mim
que sabe mais de mim que eu mesmo
esse que quer soprar a vida dentro de mim

Pois sonhar é viver
não dessa vida que somos empurrados
a enfrentar..
mas de uma vida que devemos crer
uma vida que devemos antes escolher

Meus novos olhos estão abertos agora
e esses olhos jamais poderão ser fechados..

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